BH É NÓIS
O que vi
A primeira vez que fui a Belo Horizonte fui por uma conveniência: é perto de São Paulo. Para ser completamente sincero, eu estava com saudade de andar de avião no pós-pandemia e BH é muito conveniente.
O voo foi ótimo, mas nesse final de semana prolongado BH mudou minha vida, foi paixão à primeira vista.
A PÃO DE QUEIJARIA

Eu não poderia iniciar com outro lugar que não A Pão de Queijaria, já que agora sempre escolho a localização que vou ficar em BH com a proximidade de uma unidade da cafeteria em mente. Além de ter um dos melhores pães de queijo de BH, a inventividade que a loja dá ao quitute – ou quitanda ? – é única.
Para além dos excelentes lanches de pão de queijo, na foto o Chovinista: pernil, queijo canastra, couve e bacon, a loja é famosa pelo pãozinho simples que é feito com queijos locais e que rodam no cardápio durante a semana, na quarta e sábados é da Canastra, nas quintas é do Serro.
Acompanhado de uma manteiga de café mineiro e com um Mate Couro, não tem lanche da tarde comparável. É um orgasmo gustativo, de fato.
Falando das inovações, a cafeteria tem mais dois pratos que são um must: o Doce de Leite Quente – primo do Chocolate Quente – e o Sorvete de PdQ.
O Doce de Leite Quente é justamente o que o nome sugere: leite vaporizado com doce de leite Viçosa – simples mas funciona e muito.
Já o sorvete tem mais camadas, é um sorvete de queijo com pedacinhos, melaço como calda e pão de queijo em pedacinhos torrados. Pode parecer estranho, mas é um presente de Minas pro restante do Brasil, te juro.
A unidade que eu mais vou quando estou em BH é a da Augusto de Lima, bem próximo a Praça Sete ou pássete como no sotaque mineiro.
COPA COZINHA

Acredito fielmente que minha paixão por Minas é por conta do café da manhã, minha refeição predileta e onde os mineiros deitam. Aqui é que entra história das quitandas, os quitutes tradicionais de café da manhã também recebem o nome de quitandas em boa parte de MG.
Quitanda vem do Quimbundo “kitanda” que é o tabuleiro onde essas mercadorias eram expostas antigamente. Pois ficaram conhecidas como quitandas as feiras e mercados que tinham esses tabuleiros em boa parte do Brasil – sim quitanda de verduras – mas em Minas os alimentos também ficaram com esse apelido.


No Copa Cozinha, você encontra uma padaria de quitandas mineiras que serve O BRUNCH! Na foto as duas quitandas são a tortinha de queijo e geleia de morango e o pão de abóbora com carne desfiada. Também acompanha um ovo mole, uma torrada de fermentação natural e um salpicão de frango. O café mineiro e a mimosa de manga fecharam o café.
Tudo feito com ingredientes de qualidade e bem temperados, esse brunch é inspirador. Comida e lugar que te abraçam, o que explica a fila para entrar – não muito comum em BH.

O Copa fica no bairro da Floresta, antológico em BH, e tem um espaço super convidativo e gostoso de ficar.
Floresta é a parte alta do centro de BH e bairro boêmio nas noites, é um dos meus pedaços prediletos da cidade. Não a toa que o escritor Rômulo Paes eternizou os versos que estão escritos na rua Bahia:
A minha vida é esta, subir Bahia e descer Floresta
BRUMADINHO É CONTRASTE

Rapidamente saindo de BH, mas em seu entorno, Brumadinho é uma jóia de Minas Gerais.
A cidade é conhecida nacionalmente pela tragédia do rompimento da Barragem do da Mina do Córrego do Feijão, estrutura da Vale que criminosamente matou 272 pessoas.
Embora esse fato tenha marcado profundamente a cidade, outro fato merece muita notoriedade: a cidade abriga o Instituto Inhotim.

O Instituto Inhotim é uma reserva florestal, museu de arte e jardim botânico. Não sei se existe algo parecido no mundo, mas mesmo existindo, Inhotim continua sendo único. É um lugar de suspensão, hora na mata atlântica, hora em jardins de Burle Marx, hora em galerias de arte que são por si, grandes obras. O acervo de Inhotim é abundante, há arte e flora exótica e nativa e para todo lado há beleza e surpresa. É um passeio que te muda.
Apesar de ser mais que isso, Inhotim também é legado da mineração. A reserva, as galerias, a arte e o crime, são todos feitos dessa indústria.
KAOL: PURO SUCO DE BH

Já ouviu galar do KAOL? Esse é acrônimo de um prato que é muito BH: kachaça + arroz + ovo + linguiça (pode ser língua também).
Como estava trabalhando, nesse caso foi Koka Kola + arroz + ovo + linguiça hahah
Esse PF é servido bem no centro de BH, no Café Palhares, e é parada obrigatória em qualquer viagem pra capital mineira. O Café tem aquela vibe de lanchonete que é meio boteco, com uma comida bem saborosa e barata. Frequentemente o Palhares está no top do concurso Comida di Buteco, justamente por conta do tempero caseiro e pela valorização de clássicos pouco apreciados, como Língua Bovina.

Ricardo Freire
04 de junho de 2025

